Recomeça.... Se puderes Sem angústia E sem pressa. E os passos que deres, Nesse caminho duro Do futuro Dá-os em liberdade. Enquanto não alcances Não descanses. De nenhum fruto queiras só metade. E, nunca saciado, Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar. Sempre a sonhar e vendo O logro da aventura. És homem, não te esqueças! Só é tua a loucura Onde, com lucidez, te reconheças
Ainda é cedo para destapar os olhos porque por muito tempo as nossas ruas vão continuar pejadas daqueles cartazes já desactualizados. Mas pelos menos ,os ouvidos já podemos aliviar. Acabou. Foto aqui
Estou num parque de estacionamento de um micro hipermercado, onde comi uma sopa de "água", uma nata estaladiça e um café. Estou algures entre Aveiro e a Figueira. Faço tempo para ir ouvir mais umas promessas, que uns senhores, nestas alturas fazem ao povo. O meu rádio toca Antony. A parte do AM/FM está quase bloqueada, porque depois de um dia a ouvi-los ao vivo, já não tenho tolerância, para o diferido. Chove. Não está frio. Saiu mais um carro do estacionamento. Entrou outro. São 14h30. Tenho encontro marcado ás 15h. Vou andando.
Das muitas peças que fazem parte do mobiliário das cidades, há uma que continua a faltar. À imagem do que já se faz em muitos centros comerciais, as nossas ruas deveriam ter cinzeiros. Há locais onde dói deitar uma beata para o chão por falta de opções. Pisar e apagar, depois apanhar com a mão e meter no “lixo” aposto que ninguém faz; quando muito e se houver uma sarjeta por perto “empurra-se lá para dentro” o que convenhamos, também não é grande ideia. Nas “minhas” cidades ainda não vi, por isso fica a sugestão.
De longe vêm ecos de uma qualquer festança, que faz gente escoar despojos de um presente que serão também os do futuro. A noite vai longa, mas o repouso do sol não chega para amainar os corpos que teimam acesos. Um degrau, um tecto de estrelas e o imenso silêncio chegam para levitar por segundos e para voltar a ouvir em surdina a mesma interrogação que me faz escolta. Onde é que eu parei? Onde fiquei? Estou aqui mas falta uma parte de mim! Todos os dias desconjugo os verbos e dou nega à negação para de uma forma abstracta esquecer o hiato. Provavelmente será a tal crise da meia idade, que em desconformidade, não trás respostas, mas apenas, mais dúvidas. Provavelmente não há crise alguma e é mesmo assim. Provavelmente!?
O despertador vai deixar de tocar durante uns dias. O telemóvel abandonou o som estridente. A estrada ausenta-se. A pressão abranda. Vou desligar-me da corrente e parar de correr. Sabe bem.
Bem sei que vivemos em liberdade se é que existe a expressão viver “em”, mas acho que a liberdade da liberdade, está a ir “longe demais “. Estou certa que em muitos casos, o exagero só acontece porque está lá uma câmara de filmar e um microfone. Para quem conhece os meandros destas coisas, sabe que é assim. Censurando eu de imediato todo o valor intrínseco à palavra censura, acho no entanto que há opiniões, que não contribuem para coisa alguma. Nem tudo o que se ouve é aproveitável. Por pensar desta forma, fiquei chocada com o que ouvi hoje, na televisão, a propósito da manifestação dos estivadores em Lisboa. Com ou sem penetras no protesto, o que passou na TV, mais concretamente na SIC, (onde eu vi, mas sobretudo ouvi) é de um profundo mau gosto. Se existem sons e imagens que por si só dão força e engrandecem uma reportagem, há outros, que confirmam apenas a expressão do “vale tudo”. Liberdade de expressão começa cada vez mais a ser sinónimo de banalização, calúnia, difamação e vulgaridade.
“Apesar de muitas vezes associarmos o conceito de liberdade à decisão e determinação constante, esta não será bem assim, já que a nossa vida é condicionada a cada ousadia e passo. A deliberação está então conduzida pelo envolvente humano, no qual se inserem as leis físicas e químicas, biológicas e psicológicas. Caso contrário passa a chamar-se libertinagem. Associada à liberdade, está também a noção de responsabilidade, já que o acto de ser livre implica assumir o conjunto dos nossos actos e saber responder por eles.” Bento de Espinoza Wikipédia
Mais um desafio simpático de blogagem colectiva. -------------------------------------------------------------- A vida é feita de momentos; melhores ou piores, são eles e nós que, pedra a pedra, alteiam o edifício da existência. No “prédio” onde moro, há quase sempre música. Num volume, nem muito alto, nem muito baixo; gosto de ouvir sem no entanto perder a noção ou o domínio do que se passa à minha volta. Associar uma música a um momento é no entanto uma tarefa que se afigura impossível. Na minha memória não vivem aquelas frases como “a música que ouvíamos no primeiro beijo, a música que dançávamos, a música do nosso casamento, etc.” Há sons que me levam à infância, à juventude, que recordo sem nostalgia exagerada e que, simplesmente, me fazem constatar que o tempo é demasiado volátil. No entanto, existem músicas onde regresso frequentemente como quem regressa a casa no fim de um dia exausto. E é aí que surge “o Momento” da Quinta Sinfonia de Gustav Mahler. Adagietto: Sehr Langsam é simplesmente divino.
Num outro registo diametralmente oposto, “Everybody hurts” dos R.E.M. continua a ser a minha música, o meu momento comigo própria…a minha eterna mensagem para os outros, mas sobretudo para mim.
-------- When your day is long And the night - the night is yours alone When you're sure you've had enough of this life Hang on
Don't let yourself go 'cause everybody cries and everybody hurts, sometimes
Sometimes everything is wrong Now it's time to sing along When your day is night alone (hold on, hold on) If you feel like letting go (hold on) If you think you've had too much of this life To hang on
'Cause everybody hurts Take comfort in your friends Everybody hurts Don't throw your hand, oh no Don't throw your hand If you feel like you're alone no, no, no, you're not alone
If you're on your own in this life The days and nights are long When you think you've had too much of this life, to hang on
Well, everybody hurts sometimes, everybody cries And everybody hurts, sometimes But everybody hurts, sometimes So hold on, hold on, hold on, hold on, hold on, hold on, hold on, hold on