De longe vêm ecos de uma qualquer festança, que faz gente escoar despojos de um presente que serão também os do futuro. A noite vai longa, mas o repouso do sol não chega para amainar os corpos que teimam acesos. Um degrau, um tecto de estrelas e o imenso silêncio chegam para levitar por segundos e para voltar a ouvir em surdina a mesma interrogação que me faz escolta. Onde é que eu parei? Onde fiquei? Estou aqui mas falta uma parte de mim! Todos os dias desconjugo os verbos e dou nega à negação para de uma forma abstracta esquecer o hiato. Provavelmente será a tal crise da meia idade, que em desconformidade, não trás respostas, mas apenas, mais dúvidas. Provavelmente não há crise alguma e é mesmo assim. Provavelmente!?
O despertador vai deixar de tocar durante uns dias. O telemóvel abandonou o som estridente. A estrada ausenta-se. A pressão abranda. Vou desligar-me da corrente e parar de correr. Sabe bem.
Bem sei que vivemos em liberdade se é que existe a expressão viver “em”, mas acho que a liberdade da liberdade, está a ir “longe demais “. Estou certa que em muitos casos, o exagero só acontece porque está lá uma câmara de filmar e um microfone. Para quem conhece os meandros destas coisas, sabe que é assim. Censurando eu de imediato todo o valor intrínseco à palavra censura, acho no entanto que há opiniões, que não contribuem para coisa alguma. Nem tudo o que se ouve é aproveitável. Por pensar desta forma, fiquei chocada com o que ouvi hoje, na televisão, a propósito da manifestação dos estivadores em Lisboa. Com ou sem penetras no protesto, o que passou na TV, mais concretamente na SIC, (onde eu vi, mas sobretudo ouvi) é de um profundo mau gosto. Se existem sons e imagens que por si só dão força e engrandecem uma reportagem, há outros, que confirmam apenas a expressão do “vale tudo”. Liberdade de expressão começa cada vez mais a ser sinónimo de banalização, calúnia, difamação e vulgaridade.
“Apesar de muitas vezes associarmos o conceito de liberdade à decisão e determinação constante, esta não será bem assim, já que a nossa vida é condicionada a cada ousadia e passo. A deliberação está então conduzida pelo envolvente humano, no qual se inserem as leis físicas e químicas, biológicas e psicológicas. Caso contrário passa a chamar-se libertinagem. Associada à liberdade, está também a noção de responsabilidade, já que o acto de ser livre implica assumir o conjunto dos nossos actos e saber responder por eles.” Bento de Espinoza Wikipédia
Mais um desafio simpático de blogagem colectiva. -------------------------------------------------------------- A vida é feita de momentos; melhores ou piores, são eles e nós que, pedra a pedra, alteiam o edifício da existência. No “prédio” onde moro, há quase sempre música. Num volume, nem muito alto, nem muito baixo; gosto de ouvir sem no entanto perder a noção ou o domínio do que se passa à minha volta. Associar uma música a um momento é no entanto uma tarefa que se afigura impossível. Na minha memória não vivem aquelas frases como “a música que ouvíamos no primeiro beijo, a música que dançávamos, a música do nosso casamento, etc.” Há sons que me levam à infância, à juventude, que recordo sem nostalgia exagerada e que, simplesmente, me fazem constatar que o tempo é demasiado volátil. No entanto, existem músicas onde regresso frequentemente como quem regressa a casa no fim de um dia exausto. E é aí que surge “o Momento” da Quinta Sinfonia de Gustav Mahler. Adagietto: Sehr Langsam é simplesmente divino.
Num outro registo diametralmente oposto, “Everybody hurts” dos R.E.M. continua a ser a minha música, o meu momento comigo própria…a minha eterna mensagem para os outros, mas sobretudo para mim.
-------- When your day is long And the night - the night is yours alone When you're sure you've had enough of this life Hang on
Don't let yourself go 'cause everybody cries and everybody hurts, sometimes
Sometimes everything is wrong Now it's time to sing along When your day is night alone (hold on, hold on) If you feel like letting go (hold on) If you think you've had too much of this life To hang on
'Cause everybody hurts Take comfort in your friends Everybody hurts Don't throw your hand, oh no Don't throw your hand If you feel like you're alone no, no, no, you're not alone
If you're on your own in this life The days and nights are long When you think you've had too much of this life, to hang on
Well, everybody hurts sometimes, everybody cries And everybody hurts, sometimes But everybody hurts, sometimes So hold on, hold on, hold on, hold on, hold on, hold on, hold on, hold on
O Primeiro Ministro anunciou hoje que finalmente Castanheira do Vouga vai ter banda larga. Por confirmar ficaram no entanto outras questões importantes, como a colocação de contentores para dejectos caninos nas ruas de Beduído e a substituição das degradadas placas, que indicam a direcção do cemitério de Fataunços. Depois de uma moção de censura no parlamento e de uma semana a digerir resultados eleitorais, com sabor a fel, o chefe do Governo, apresentou-se na SIC num registo quase sussurrante, com muitos “por favor”, “se me deixar”, deixando transparecer uma dissonante humildade que não lhe conhecemos. Há quem diga que os números, não matam, mas amolecem; eu prefiro acreditar que são os assessores do Primeiro, que estão a fazer o seu trabalho. Aristóteles dissertava o homem como um animal político. Será um camaleão?
Do alto da minha bancada de leiga na matéria ainda pensei que estaria para breve o regresso daquele senhor sueco, que já por cá andou. Já o via de arraiais instalados lá para os lados da catedral. Para o mesmo “altar” ainda me passou pela cabeça outro nome, de outro senhor que também por cá andou e que, apesar de tudo, tantas euforias nos deu. Descobri agora que vai para o…Uzbequistão, treinar um clube que também começa por B e onde todos os países à volta, terminam em ão… assim como Felipão. Muitos gestos vai o homem ter de fazer para ser entendido, sim porque aprender Uzbeque, deve ser tarefa para uns anitos. Tudo isto, para dizer, que ao que parece, é mesmo Jesus que vai ocupar o tal altar da Catedral. Será que é desta que a paz vai descer ao terreno benfiquista ou o calvário é para durar? Em benefício da dúvida, por aqui me fico.
Qual será a relação entre a política e as marcas rodoviárias desenhadas no chão de ruas e estradas? De uma forma directa ou indirecta, ambos “nos comandam” !? Num há índios, noutro há setas!? Provavelmente não haverá qualquer tipo de relação, mas o meu neurónio tresmalhado, levou-me a concluir que até há uma ligação e que podemos ver coisas onde elas não existem. Será imaginação ou demasiada ficção, mas a verdade é que nas renovadas estradas da circunvalação de Viseu, não existe o lado esquerdo. Ou seja, depois do aprumado desafio, que é fazer os risquinhos todos direitinhos no pavimento, a seta da esquerda, foi banida. O esquecimento, distracção ou não sei o quê, poderá inclusivamente dar origem a mal entendidos com os frequentes “toques” nas “bolachas“. Quem desce e entra na rotunda Carlos Lopes, não vê setas de viragem à esquerda, mas também acho que já ninguém repara nestas coisas. Hoje numa volta pela cidade encontrei outros exemplos; em alguns deles nem setas existem, o que, provavelmente, será mesmo a melhor opção.
Peugeot-Citroën e Yazaki Saltano. Pela mesma altura fica a saber-se que uma vai produzir um novo modelo automóvel e que a outra, retira mais de 200 trabalhadores do regime de “Lay-off”. Serão sinais positivos, ou meras coincidências? Será que o bicho papão, chamado crise que nos tem atormentado, estará finalmente a entrar em decomposição? Há quem diga que não e há quem diga que não!!!! São sinais na entrada de um Verão “quente”, que mal começou a aquecer e que vai deixar marcas de insolação em peles pouco habituadas a ambientes desabridos.